terça-feira, 30 de agosto de 2011

Repúdio ao 4%!!!

Abaixo-assinado

CARTA DE REPÚDIO AO ACORDO MPOG 04/2011 DE 26/08/2011

Para:Presidência da República,

MPOG, ANDES-SN e PROIFES

CARTA DE REPÚDIO AO ACORDO MPOG 04/2011 DE 26/08/2011


Pela primeira vez na história da República Brasileira, os professores precisam convencer não apenas os governantes dos seus valores e esclarecer suas importâncias, mas também às suas próprias Centrais Sindicais signatárias do Acordo MPOG 04/2011.

Independente de interesses pessoais ou bandeiras político-partidárias defendidas, os docentes que concordam com essa carta sinalizam que o País está permeando por uma oportunidade de revitalizar a Educação Nacional, contudo, isso passa, inexoravelmente, por maior valorização do profissional acadêmico.

Aceitar uma proposta de reposição de 4%, considerando a inflação do período em questão, e a futura equiparação salarial com os servidores do Ministério de Ciências e Tecnologia de forma verbal, traz à tona uma triste, seca e preocupante realidade: não estamos valorizando a Educação, tampouco fortalecendo. O futuro será conforme os cálculos previstos: Instituição Federal de Ensino NÃO será sinônimo de qualidade.

Mesmo com intenso sentimento de angústia, sentimo-nos fortes quando lembramos que a Educação é formada, executada e sobrevive exclusivamente pelos professores, e não por Centrais Sindicais ou semelhantes; lembrança essa que nos faz reverberar nossos anseios por diversos meios midiáticos com artifícios de paralisação de atividades letivas e explicações perenes aos discentes e comunidade sobre os fatos.

A data 26 de agosto de 2011 será esquecida da História da Educação, enquanto o dia 1º de setembro do mesmo ano será lembrado como o dia em que os professores fizeram uma paralisação Nacional em forma de repúdio ao Acordo 04/2011; a fim de fortalecer a Educação Nacional, sinalizando, ainda, que os professores podem formar opiniões de formas clara, rápida e objetiva; bem como efetivar perspectivas de indicativo de greve pelas bases, independente de interesses pessoais.

Os signatários


Que é isto, o valor?

A crítica do cartunista Quino sobre os valores da educação atual.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O que é isto, a ilusão?


Ilusión

Marisa Monte & Julieta Venegas

Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi
Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella
No supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de hacerla feliz
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue

(Para quem pensa que esgoelar é sinônimo de cantar, aqui o exemplo de uma música que nunca, nunca deveria terminar).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Meus filhos que estão na Terra*

Wilson Correia

Eu acompanho vocês
...
Meus Filhos que estão na Terra e se encontram em Honduras: vejo-os, crianças miseráveis, disputando com os abutres as sobras do lixo recolhidas em aterros sanitários de suas cidades, tirando dessa imundície quaisquer coisas para alimento próprio ou para a venda a quem manifeste a disposição de mercadejar com o imprestável. Sou testemunha de que seus corpos estão raquíticos e que nesse esqueletismo seu espírito não pode vicejar.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram na Colômbia: percebo vocês pouco vividos nas garras da prostituição, igualando-se a milhões de crianças prostituídas por quem deveria proteger-lhes a dignidade ao redor do mundo. Ao contrário disso, milhões de vocês, a cada trezentos e sessenta e cinco dias contados, são traficados e vendidos como mercadorias de somenos. Conheço esse drama pelo qual passam e sei vocês ultrajados nas vísceras e no espírito.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram na Índia: vejo-os, pequeninos, quebrando pedras em troca de notas miseráveis que mal dão para o leite consumido esporadicamente. Vocês integram o número de crianças que soma quase duzentos e vinte milhões em todo o mundo, as quais têm que trabalhar de algum modo para não caírem mortas de inanição. Trabalham muito! Chegam a uma jornada de dezessete horas por dia e o fazem sob condições lastimáveis, desempenhando as mais perigosas atividades. Não ignoro a cruz existencial sob a qual estão pregados e sei os pregos da miséria a lhes rasgarem a mente e o coração.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram no Afeganistão: vocês vivem há não mais que meia dúzia de anos e já os vejo refugiados da guerra, metidos em trabalhos forçados nas fábricas de tijolos, os quais viram seguidamente para se tornarem secos sob o sol que eu quero igual para todas as criaturas, mas é causticante para vocês, levinhos, pisando esses tijolos de modo a não quebrá-los. Eu sei a dor a lhes torrar a alma e a sola dos pés.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram no Paquistão: eu os vejo disputando migalhas de carvão perdidas pelos carros da Cruz Vermelha ao longo das estradas. Trabalho não existe para seus adultos. A alimentação que têm é precaríssima. Suas necessidades básicas gritam roucamente em meus ouvidos e estão sempre a zero. Suas famílias inteiras definham diante de mim. Eu sei a fome a lhes animalizar e lhes queimar o estômago.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram nos Estados Unidos da América do Norte: assisto a vocês, filhos de pobres drogados, catando latinhas nas ruas, entregues a trabalhos destinados aos adultos. Vocês mancham o esplendor da maior riqueza nacional do planeta e eu sei o que lhes entorpece a alma, o coração e os passos frágeis por sobre os dias. Sua dimensão anímica se reduz a comandos instintivos de defesa ou fuga, e mais esse vexame eu tenho que testemunhar.

Meus Filhos que estão na Terra e se encontram no Brasil: país do vale tudo e onde tudo é possível; país da mentira, da política dos faz-de-conta, da lábia falaciosa, do levar vantagem em tudo, da maldade institucionalizada, da cegueira confessa, do não sei que simula e dissimula, do silêncio covarde, do acinte, da corrupção, do jeitinho para tudo e da falta de vergonha na cara... aí vocês crianças vivem premidas pela exploração sexual, movidas pela necessidade de obterem alguma renda, sem saírem da miséria, vocês têm nos próprios pais os seus negociadores. Vocês se vendem por míseros centavos e se entopem de cola e outros ópios para não testemunharem a própria degradação, mesmo antes de terem experimentado a vida. Nas ruas vocês são contados aos milhões, sem família, e tendo de praticar seguidos furtos para continuarem de pé. Vejo-os, crianças, aos bandos e ao relento nos espaços públicos, nos prédios abandonados, debaixo dos viadutos, nos terrenos baldios e nas encostas dos morros marginais de suas cidades. O que fazer com as fomes de vocês? Eu sei que seus corpos são o único recurso de que dispõem e sei esse sacrilégio a lhes marcar a pele e a lhes destroçar o mundo subjetivo e a identidade ainda em promessa.

Meus Filhos que estão na Terra, espalhados por todo o globo, santificadas sejam a vida e a existência de vocês.
Venha a mim o martírio cotidiano a que são submetidos, diuturnamente.
Seja feita a vontade daqueles que integram o um por cento de todos os meus filhos humanos no mundo que detêm nas mãos a metade de toda a riqueza produzida pela humanidade, na forma de bens que deveriam ser empregados para evitar a via-crúcis atestada acima, mas cuja negação e falta criam-lhes o pior dos infernos possíveis. E dele não podem escapar.

O meu pão de cada dia me dêem hoje, na forma de entrega, pedidos, orações, gritos, gemidos, desamparo, abandono, miséria, pobreza, fome, maus-tratos, tortura, sevícia, exploração, lamentos, lamúrias, doenças, ignorâncias verbais e de atos, sentimentos e pensamentos, violência, soluços e lágrimas, pois é dessas coisas que me faço, com base nisso existo, perduro no tempo e sou.

Perdoem a ofensa que lhes perpetro com meu silêncio, meus braços cruzados, minha ausência, minha omissão e minha indiferença, a tudo assistindo e em nada intervindo, assim como perdôo os dominantes que lhes tratam como gado vendaval, animais, coisas e nulidades cruas.
...
Não me façam cair na tentação de vocês que é a de me esquecer, porque se isso se der eu evaporarei, e isso será o meu mal, esse que já conhecem na própria carne e no próprio sangue, o igual, o mesmo e sempre derramado continuamente por mim desde aquele que um dia foi pregado vivo no madeiro.
...
Amém.

______
*Crônica publicada no espaço "Veneno Crônico" do sítio "A Garganta da Serpente", em 22/12/2006.


 

domingo, 14 de agosto de 2011

Pai

Imagem: espiritosolido.blogspot.com



Ê Meu Pai

Raul Seixas

Composição:
Raul & Cláudio Roberto

Ê, meu pai
Olha teu filho meu pai

Ê, meu pai, olha teu filho meu pai refrão
Ê, meu pai, ajuda o filho meu pai

Quando eu cair no chão segura a minha mão
Me ajuda a levantar para lutar

Se o medo da loucura nessa estrada escura
Me afastar da luz que me conduz

Se eu me sentir sozinho ou sair do caminho
E a dor vier de noite me assustar

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cinismo também se aprende: respeite o professor


Wilson Correia*

O mundo anda maluco, minha cara. Mas como tenho que dizer algo fundamental, anote aí: preze a educação. A educação não é tudo, mas é a trilha sobre a qual desliza nossa existência.
Isso eu aprendi ainda em criança. “Respeite os mais velhos! Respeite os de fora da família! Respeite o professor!”. Hoje tenho a sensação de que os “mandamentos” são outros: “Achincalhe os mais velhos! Estranhe os de fora! Soque o professor!”.
Minha cara, não queira ver aí um saudosismo purista pequeno-burguês. Não é isso o que intento. Minha intenção é mostrar que se não se aprende, nem se ensina, a legitimação do outro, o reconhecimento da humanidade particular e própria fica comprometida.
Cuidado! Cinismo também se aprende! E, nisso, as lições atitudinais, comportamentais e gestualizadas são, de longe, muito mais poderosas do que uma simples vocalização professoral. Quero dizer que o exemplo ainda vale mais do que a palavra.
E vale, minha cara! Quando a voz diz “Respeite o professor”, mas o tratamento dirigido a ele se resume a um pisão, aprendemos a pisar, o cinismo de dizer uma coisa e fazer outra. E embarcamos na dualidade do descaro de um idealismo inócuo, contraposto em nos mesmos pela objetividade de um realismo cru, nu e cruel.
Não é o mundo que é louco, minha cara! Nós, os humanos é que somos malucos. Agora mesmo, desde que os professores universitários das universidades federais iniciamos nosso movimento em prol de uma carreira mais dignas, as ditas “autoridades”, tratam os professores como se fossem coisas procrastináveis, algo que “eu tiro da minha frente”, “Zes Ninguém”.
Isso é realismo cru, minha cara. O parceiro gêmeo do idealismo cínico. No discurso que verbalizam todos os dias, não há um só político que não louve o respeito ao professor e à professora. Porém, na prática, age como se fosse dono da vida e da morte do professor e da professora. Tomam decisões como se o dinheiro do povo que têm a missão e o dever de administrar, e bem, como se próprio fosse. Portam-se como verdadeiros mestres ao dispensarem lições exemplares de como idealizar uma coisa e viver outra.
Ah!... As entidades representativas dos professores estão partidarizadas, dirá você. Por acaso apenas “as entidades representativas dos professores” é que têm endereços eletrônicos, telefones, endereços? Em lugar de marcar reunião apenas para agendar outro encontro, no acinte de não conversar a sério e apenas embromar, levar com a barriga e escarnecer dos professores e professoras, por que não chamar os professores mesmos para as mesas de negociação?
Há muita gente séria que ainda deseja levar as coisas a sério. É com esses que “as autoridades” governamentais” devem conversar quando desejam tomar alguma medida consequente. Que as “entidades representativas dos professores” se alimentem do próprio monstro que criaram chamada representatividade. E que se engalfinhem por cargos e mais cargos em sua luta insana em meio ao jogo de poder que eles próprios alimentam.
De nossa parte, minha cara, que cuidemos das coisas que realmente interessa. Se estamos vivos, temos que viver, brincar, nos divertir. Não dá para entrar nessa furada de cada um morrer um pouco a cada embate e semear a morte por onde vai.
Façamos o pacto da vida-vida, do ganha-ganha e do alegria-alegria. A vida é um respiro e precisamos aprender a purificar o nosso ar.
Respeitemos o professor, minha cara! Cinismo também se aprende –e, o pior, também se ensina.

*Wilson Correia é Adjunto em Filosofia da Educação no Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.